Na manhã desta última terça-feira, dia 23 de janeiro a soteropolitana Égili Oliveira, a convite da presidente Barbara Rigaud, foi coroada Rainha de bateria do GRES Turma da Paz de Madureira (TPM). A beldade recebeu a coroa das mãos de Aldione Senna, a única detentora de dois estandartes de Ouro do Jornal O Globo; representando o segmento passistas feminino, e foi enfaixada pela cenógrafa e carnavalesca Márcia Lage, com direito a transmissão do RJ TV1, o que nunca havia acontecido na história de uma agremiação que faz parte do grupo da Intendente Magalhães.

Égili carrega toda a ancestralidade africana não somente na pele, mas na alma. Dos antepassados, herdou a profunda ligação com os elementos da natureza, o gosto pela cultura e pela arte. Formada em artes cênicas, a atriz e dançarina adotou o samba como meio de expressão e viaja o mundo difundindo a arte. Rainha do Carnaval da Suécia e Canadá, madrinha da folia na Finlândia, ela é uma sambista premiada e também já experimentou o reinado na maior festa popular do país, representando as cores da União do Parque Curicica, Mocidade Unida do Santa Marta e Acadêmicos de Vigário Geral, escola da Série Ouro do carnaval carioca, onde desfila desde 2020, como rainha de bateria.
No Rio de Janeiro, sua trajetória começa no Acadêmicos do Salgueiro, como passista, onde ganhou o apelido de “baiana”. Enveredou como destaque da São Clemente e Viradouro.
Dona de diversas premiações no Carnaval, Egili contagia a todos com sua simplicidade, carisma e muito samba no pé e usa as aulas e workshops de samba como ferramentas de empoderamento social.
Nos Estados Unidos, deu aulas para crianças de uma escola pública para crianças carentes , a Edmund Burke Public School, ensinando, além da arte do samba, um pouco de nossa cultura às crianças; já no Brasil, montou em Botafogo, bairro onde mora, um projeto que inclui crianças e adolescentes formando novos sambistas na zona sul.

Empreendendo desde sempre, transformou o método que chama de “samba coração”, em um produto difundido dentro e fora do país. Foi pioneira em trazer suas alunas para viver a experiência de sambar no carnaval carioca, integrando alas de passistas de grandes escolas. O empreendimento deu tão certo, que montou o Samba Summer Mix, evento que acontece na semana do carnaval, um verdadeiro aulão nas areias da praia de Copacabana.
– O Samba Summer Mix foi um projeto que deu muito certo e quero ampliá-com parcerias. São dois dias inteiros unindo a beleza da praia mais famosa do mundo, ao calor do verão e a proximidade do Carnaval, onde os alunos aprendem não somente o samba. A ideia é viajar pela cultura brasileira, começando na África com o “semba”, passando pelo samba de roda, samba de gafieira e chegando ao gingado das cabrochas. É uma oportunidade de divulgar o Carnaval, aprender um pouco mais sobre a cultura brasileira e, lógico, mexer o corpo e se divertir, diz ela que, recentemente viveu uma de suas maiores conquistas, ter sua trajetória contada nas telas do cinema.

Única rainha preta retinta da folia, Egili é a estrela do filme “Egili, rainha retinta no carnaval”, um documentário roteirizado e dirigido por Caroline Reucker e que foi um dos selecionados no Festival do Rio. Na película, além de o público poder compartilhar momentos nada glamourosos da rotina de uma mulher preta, questões como a invisibilidade e o colorismo apontam para uma necessidade urgente de discussão firme sobre o tema. A experiência como protagonista revelou o talento da atriz que já esteve presente em peças publicitárias para marcas como a Reduc e Amazon, além de ter participado do filme “Um Natal Muito Atrapalhado”, de Lucas Neto.
O sorriso largo da profissional que anseia por espalhar cada vez mais a nossa cultura mundo afora, se abre ainda mais com as conquistas do último ano e de tudo o que esta por vir em 2024. Além de brilhar à frente dos ritmistas de Vigário Geral, Egili está às voltas com o projeto “Samba Coração”, um intensivo de aulas de samba que precede o Samba Summer, alem dos preparativos para voltar a brilhar na Intendente Magalhães a com o GRES TPM, única escola de samba formada totalmente por mulheres, onde Egili afirma que se sentiu muito acolhida e representa. Como diz o enredo da agremiação “Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser”.
Fotos: capa Diego Mendes/ material de divulgação